Fotos: Edu Rodrigues  Make: Walter Lobato  Stylist: Humberto Correia

Na sua visão, quais as principais diferenças entre as atuais mulheres acima de 50 anos em comparação às mulheres da mesma idade, mas da geração da sua mãe, por exemplo?

 

Vejo algumas diferenças. As mulheres de 50 anos da geração de minha mãe (Alba), queriam ter liberdade para novas escolhas, mas a grande maioria ainda não tinha coragem de arriscar. De qualquer forma elas foram fundamentais para formar a geração de mulheres destemidas de hoje. Elas prepararam o caminho para que a atual geração de cinquentenárias, pudesse alçar voo. Sinto que minha falta de limites para vivenciar novos padrões de comportamento que sirvam à minha evolução, veio da educação que minha mãe me deu. Ela sempre combateu o machismo e defendia a liberdade de expressão da mulher, mas ela própria abandonou a profissão de professora para criar os cinco filhos. Espero que ela tenha se realizado escrevendo textos que nunca publicou e se dedicando a uma educação muito especial, onde fomos preparados para deixar nossa essência aflorar livremente. Por isso, eu com 52 e minha irmã Cândida com 50, parecemos duas garotas na forma de viver a vida. Eu estou no auge da minha energia física para tudo o que faço e minha irmã, além de produtora de cinema é campeã de kitesurf. Também na geração de minha mãe, começou um movimento de estudo sobre alimentos saudáveis e estilo de vida. Graças a isso, a mulher de 50 anos hoje, parece que tem bem menos idade. Isso cria oportunidade dela começar novas carreiras e novos relacionamentos. Estamos quebrando todos os padrões arcaicos. Na geração da minha mãe, uma mulher casar com um homem vinte anos mais novo, era um escândalo. Hoje é normal. Eu tive filho com 37 anos e maravilhoso. Minha ansiedade de realização profissional havia passado e eu fiquei dois anos dedicada a gravidez e amamentação. Poucas vezes na vida, senti tanto prazer e plenitude. 

 

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Você disse em uma recente entrevista, que a vida ficou mais colorida aos 50. Por que?

 

Porque estou perdendo meus medos e parei de me cobrar perfeição. Por dentro, me sinto de férias de uma auto exigência que não me deixava respirar. Era como se eu alimentasse um carrasco dentro de mim. Descobri que não eram os outros que me pressionavam. Era eu mesma! Hoje faço tudo com muito mais prazer, pois aceito que posso errar. Ou melhor, nem existe erro da maneira como eu via. Se estou inteira no que faço e de coração aberto, cada segundo da experiência já está valendo uma eternidade. O medo de errar, bloqueia o fluxo da vida. Curei também o medo de ser abandonada e a carência crônica. Eu simplesmente estou bem dentro de mim. Não significa que eu não tenha dúvidas ou não sinta dor por alguma perda, mas agora encaro tudo isso como uma oportunidade de crescimento e autoconhecimento. Não sinto mais pudores com nudez ou sexualidade. Minha liberdade está em expansão. Com amor, tudo ganha conotação sagrada. O amor é a porta para nossa natureza divina e isso não é papo religioso. Ao contrário, é a possibilidade de contato direto com o que é divino em nós, sem intermediários. O amor é simplesmente uma questão de vibração, é ciência. A frequência do amor, nos coloca em sintonia com acontecimentos maravilhosos. Somos responsáveis pela criação da nossa realidade. O amor, a paz e a alegria que buscamos fora, está dentro de nós. Somos mendigos pedindo esmolas, sentados em um baú repleto de ouro.

 

Você também declarou que está em paz com a idade. Em algum momento envelhecer foi um problema para você? Se sim, como reverteu esse pensamento?

 

Como eu tive filho com 37 anos, aos quarenta eu estava me realizando como mãe em vez de ter a famosa "crise dos quarenta". O nascimento do Guilherme, abriu meu coração, finalmente. Quer dizer, até ter filho eu estava só me distraindo. Minha vida consciente está no início. Nunca me senti em crise pela idade, mas sim pela falta de sentido na vida. Aos 47 meu filho tinha 10 anos, estava se tornando auto-suficiente e eu estava me separando do segundo casamento. Eu tinha paralisado minha expansão pessoal, profissional e me sentia infeliz. Sinto que não tinha a ver com a idade biológica, mas sim com um novo ciclo que estava prestes a começar. Fui ao fundo do poço pela falta de alegria em viver. Dizem que o fundo do poço tem molas, né?...rs. Acordei. Comecei a enxergar que precisava buscar autoconhecimento e cura. Precisava evoluir. Nunca fiz terapia da forma convencional, mas mergulhei no auto estudo. Leituras, conversas com amigas terapeutas incríveis e auto observação. Meu mundo interior ganhou novas dimensões e eu descobri novos dons. Estou em pleno movimento de expansão interna e isso tem se refletido fora. Com cinquenta anos, escrevi e lancei meu primeiro livro baseado no auto conhecimento, com o objetivo de ajudar as pessoas que estão passando pelo mesmo processo que passei. Nossa realidade é uma projeção do que sentimos e pensamos. Só a mudança de crenças e paradigmas, é capaz de mudar de verdade uma realidade. Isso exige esforço, determinação e amor próprio.
 

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Você se tornou uma pessoa pública muito jovem e, como conta no livro O Medo do Sucesso, fugiu da exposição e tinha medo de se arriscar. Hoje, mais madura, como encara a fama?

 

Me expus completamente com esse livro. O propósito foi tirar as máscaras e confessar todas as minhas mentiras para que as pessoas conhecessem a história real. Nesse processo de autoestudo, o sentido da fama mudou para mim. Por causa da minha imaturidade, no início da minha carreira fui levada a ver a fama como um lugar onde a pessoa precisava acertar sempre para ser aplaudida e não cair do pedestal. Hoje vejo a fama como uma oportunidade de servir. Essa mudança de paradigma mudou completamente minha relação com a fama. Não é uma ferramenta de poder, mas sim uma oportunidade de autodoação. Nunca me senti melhor que os outros, mas tinha muito medo de errar e de assumir novas responsabilidades através do meu crescimento. Dar as costas para um caminho que se abre, significa na verdade, uma extrema arrogância. Não cabe a mim decidir o que é importante para o todo. Se a porta se abriu, passo por ela com o coração me guiando e confiante de que lá na frente tudo fará sentido. Ao contrário do que algumas religiões pregam, a verdadeira humildade é sair da zona de conforto e expandir o máximo da nossa potencialidade nessa vida. É brilhar tudo o que podemos para aí sim, ajudar nossos irmãos com o exemplo de que tudo é possível. Alguém que tem medo de crescer, não oferece benefícios a ninguém e nem a ela mesma. Estamos aqui para servir a um plano maior. Sou uma pecinha importante como todo mundo. Resistir ao crescimento, atrapalha muito o processo coletivo. A rebeldia não serve para nada. É uma atitude infantil do ego. Voltando à pergunta, a fama é uma enorme oportunidade de irradiar luz e consciência para as pessoas que estão nos observando. Não é receber e sim, servir.

 

Qual a principal diferença entre atuar nos anos 1990, quando começou na TV, e atualmente, durante sua participação na novela Segundo Sol?

 

Agora estou me sentindo muito parecida ao que era no começo, quando sentia prazer no risco da liberdade de expressão. Fui tão aplaudida no início da carreira, que adquiri medo de errar e estou me curando rapidamente. Mas atenção, não é negar o medo e sim aceita-lo, descobrir como se instalou e parar de alimenta-lo. O medo ou o desamor são criações da mente. Nossa essência é de amor, espontaneidade e possibilidades ilimitadas. É só observar uma criança. Com as quedas do caminho, vamos ficando traumatizados, mas toda dor é passageira se a gente entende o recado que ela traz e deixa o momento ir embora. Me admira não ensinarem isso no ensino básico. Perdemos muito tempo com tentativa e erro. 
Hoje me sinto com coragem para arriscar. Afinal, que graça tem ficar repetindo o que já conheço? Que venham novos desafios para que eu possa me lançar de corpo e alma. Hoje reconheço meu valor como artista e sinto enorme gratidão por isso. Não vejo limites nem para mim e nem para ninguém. 

 

Mulheres como você, consideradas símbolos sexuais, são mais pressionadas a se manterem eternamente jovens e belas. Na prática, como essa cobrança bate à sua porta e de que maneira lida com isso?

 

Sinto que símbolos sexuais tem mais a ver com algo que vem de dentro do que a forma externa de um corpo. A sensualidade faz parte da expressão do meu ser. Mesmo quando era extremamente tímida na infância, minha sensualidade natural, estava lá. É uma das minhas forças e aprendi a integrar e aproveitar essa energia que me acompanha. Mas sinceramente, não imaginava que estaria tão em forma aos 52. Sempre gostei de me movimentar porque tenho muita energia, mas não sou uma pessoa obcecada por academia. Às vezes fico uma ou duas semanas sem atividade física, mas isso não me faz bem. Meu corpo se sente melhor em movimento. Isso sempre ficou claro. No ano que escrevi e lancei o livro (2016), não fiz quase nenhuma atividade física e comecei a sentir dor no pescoço. Ficava focada na escrita e esquecia que tinha corpo. Isso não pode acontecer. O exercício físico, entre outras coisas, é necessário para que tenhamos saúde. A energia precisa circular. Emoções jogadas debaixo do tapete e lágrimas não derramadas, também podem criar doenças pela energia estagnada. A matéria é frágil e é nosso veículo nesse mundo. Precisamos ter vitalidade para experienciarmos tudo, na hora certa. Sem ansiedade. A natureza não dá saltos. É só a gente observar uma gestação. Também precisamos começar a entender como as coisas funcionam de fato. Além desse corpo denso, temos os corpos sutis ou energéticos. Ninguém ensina essas coisas na escola e aí as pessoas ficam velhas, gordas e sem saúde simplesmente porque não sabem que tudo é energia. Da lâmpada da nossa casa a vida de cada ser, tudo é energia. O pensamento materialista só serve para criar escravos da doença. A saúde está na alegria de viver e a maioria dos médicos, estudam doenças e não saúde. Os planos de saúde são planos de doença, ou seja: estamos completamente equivocados. Penso que tenho uma aparência jovem porque não acredito em velhice e nem em doença. Cuido e amo meu corpo. Ele é minha morada sagrada. Limpo sua energia todos os dias e só permito aproximação de quem vibra na mesma frequência. Acho meu corpo lindo porque ele é meu parceiro nessa vida. É como um casamento. O amor faz a gente ver beleza e eu amo esse parceiro de todas as horas. Hoje tudo o que faço fisicamente, faço com carinho e amor, pensando se ele está se sentindo bem. É com ele que posso contar, para todas as aventuras que ainda vou viver.

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O que a idade lhe trouxe de melhor?

 

Me trouxe coragem para enxergar minhas faces menos belas e aceitar, para poder transformar. Trouxe vontade de compreender cada vez mais a natureza humana e expandir minha consciência. Trouxe capacidade de amar e aceitar o outro incondicionalmente. Trouxe paciência para esperar as coisas acontecerem enquanto faço minha parte. Trouxe conhecimento de que tudo o que eu quero já está dentro de mim. Trouxe consciência de que não existem limites de realização na vida e que posso ser extremamente realizada em todas as áreas. Trouxe humildade para aceitar as circunstâncias do momento com firmeza, por mais difíceis que sejam. Resgatou minha espontaneidade, ou seja, a vida tá começando a ser realmente divertida, seja para enfrentar os desafios ou celebrar as conquistas. Também trouxe calma para usufruir a vida.

 

Do que mais sente falta do passado e o que, graças à Deus, ficou para trás?

 

A melhor coisa da juventude é a energia e eu tenho conservado isso. Estou tentando me lembrar de que sinto falta. Talvez sinta falta da enorme tonicidade muscular que eu tinha, mas não posso reclamar disso. Ainda estou forte.

Graças a Deus a falta de consciência, medo de errar, distração com coisas que não me levavam a nada, ficaram para trás.

 

Em 2018 você posou nua para o projeto Pele Project. Qual o segredo para se sentir segura e tirar a roupa para um ensaio aos 52 anos de idade, considerando os possíveis julgamentos a que toda pessoa célebre está fadada a sofrer, principalmente nas redes sociais?

 

Bem, o projeto era justamente para as pessoas tirarem as máscaras. Se expor publicamente, exige coragem mesmo e eu estou aprendendo a amar os desafios. Hoje não tenho pudor com meu corpo e acho que esconder a nudez não faz o menor sentido. É como tentar esconder a verdade. Somos o que somos, negar não leva a lugar nenhum. Meu corpo sou eu, faz parte do meu ser. Como posso ter vergonha? Nesse projeto, não existia maquiagem ou preparação alguma. Cheguei e em quinze minutos, o Bruno já tinha feito os cliques que queria. O objetivo era a expressão da natureza de cada corpo e ele teve um olho incrível para enxergar que sou uma mariposa, borboleta, lagarta, essas coisas. Sinto o arquétipo do feminino presente na minha expressão mais genuína. Sem fragilidade. Às vezes também me torno Kali, a assassina de demônios. Mas agora essa só vem quando eu chamo...rsrs

 

Por que, em sua opinião, as mulheres se submetem cada vez mais cedo a tratamentos estéticos para manterem-se jovens?

 

Eu entendo a pessoa não querer ver as rugas que vão aparecendo, mas se a gente deixa passar um tempo, a gente se acostuma. Já aconteceu comigo. Numa época que eu não tinha dinheiro para quase nada(isso está no meu livro). Foram aparecendo "pé de galinha" e eu não tinha dinheiro para botox. Tudo bem, foquei em outras coisas e quando me dei conta, já nem reparava mais no "pé de galinha". É assim. A gente se acostuma. É que o corpo vai mudando ao longo da vida e precisamos de tempo para aceitar isso. São ciclos, fases. Hoje tenho outras coisas mais valiosas para serem admiradas, para oferecer ao mundo. E se ninguém enxergar esses ganhos da maturidade, tudo bem. To em paz. Mas se alguém quer esticar e preencher cada marquinha, vá em frente. Só cuida para não colocar sua realização pessoal nisso, pois não é aí que está. Muita gente com pele impecável está se suicidando. Quer dizer, somos livres para fazermos o que quisermos, mas já dizia Carl Jung: Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, desperta.

 

Em entrevista antigas, você costumava dizer que enquanto pudesse, não faria plástica, pois pretendia não se transformar durante o processo de envelhecimento. Ainda pensa assim? Por que?

 

Naquela época, a plastica deixava a pessoa mais envelhecida e com aparência esticada. Hoje sei que tem procedimentos que ficam muito bem feitos, mas espero que eu não sinta essa necessidade. Até porque sou atriz e as marcas de expressão muitas vezes valorizam a verdade de um ator. Como disse, me sinto livre para desejar qualquer coisa, mas prefiro ficar de bem com minhas ruguinhas.

Hoje não quero, amanhã só Deus sabe.

Como é sua rotina de beleza? (Se faz atividades físicas (quais?), se segue alguma dieta (qual?)…)

 

O principal é perceber o que faz bem para você. Sinto que para mim é muito importante não fumar, não beber nada de álcool e comer carne e açúcar raramente. O resto é equilíbrio. Não acredito em sacrifícios. Acho que sacrifício, envelhece. Aprendi a ter prazer em tudo o que me faz bem. Acho que isso significa amor-próprio. Amo as raízes, os grãos, as frutas e verduras cruas. Gosto de comer pouco, mas não dá pra ficar mais de quatro horas sem comer. Mantenho meu metabolismo acelerado.

Cada corpo é um universo a parte. Sempre observei como meu corpo funciona e coisas que todo mundo diz que é bom, para mim pode não ser. Por exemplo: comer bastante no café da manhã, não funciona para mim. Se acordo sem fome nenhuma isso significa que para mim é diferente. Há trinta anos, tomo uma colher de chá de guaraná em pó com mel e um pedaço de fruta. Só. Minha principal refeição é o almoço. Faço prato de caminhoneiro. A noite pão sem glúten, sopa, tapioca, frutas, essas coisas. Nos intervalos, fruta. Há uns três anos evito o glúten e estou me sentindo bem. Mas posso comer glúten eventualmente. Tem duas coisas que levo para onde vou: mel e maçã. Preciso comer uma maçã depois do almoço todos os dias! E sou viciada em mel.

Ah! Muita água, filtro solar e sete a oito horas de sono. Amo dormir cedo e acordar cedo. Para cinema é perfeito, para teatro não dá. Ou seja, tudo depende do trabalho do momento. Não tenho rotina.

Jamais recuso uma caminhada ou subir as escadas em vez de pegar o elevador. Preciso me movimentar. Dançar então, cura tudo e rejuvenesce muito. Também preciso agradecer minha genética baiana maravilhosa. Explosão das misturas raciais.

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Como é sua rotina de beleza? (Se faz atividades físicas (quais?), se segue alguma dieta (qual?)…)

 

O principal é perceber o que faz bem para você. Sinto que para mim é muito importante não fumar, não beber nada de álcool e comer carne e açúcar raramente. O resto é equilíbrio. Não acredito em sacrifícios. Acho que sacrifício, envelhece. Aprendi a ter prazer em tudo o que me faz bem. Acho que isso significa amor-próprio. Amo as raízes, os grãos, as frutas e verduras cruas. Gosto de comer pouco, mas não dá pra ficar mais de quatro horas sem comer. Mantenho meu metabolismo acelerado.

Cada corpo é um universo a parte. Sempre observei como meu corpo funciona e coisas que todo mundo diz que é bom, para mim pode não ser. Por exemplo: comer bastante no café da manhã, não funciona para mim. Se acordo sem fome nenhuma isso significa que para mim é diferente. Há trinta anos, tomo uma colher de chá de guaraná em pó com mel e um pedaço de fruta. Só. Minha principal refeição é o almoço. Faço prato de caminhoneiro. A noite pão sem glúten, sopa, tapioca, frutas, essas coisas. Nos intervalos, fruta. Há uns três anos evito o glúten e estou me sentindo bem. Mas posso comer glúten eventualmente.

Tem duas coisas que levo para onde vou: mel e maçã. Preciso comer uma maçã depois do almoço todos os dias! E sou viciada em mel.

Ah! Muita água, filtro solar e sete a oito horas de sono. Amo dormir cedo e acordar cedo. Para cinema é perfeito, para teatro não dá. Ou seja, tudo depende do trabalho do momento. Não tenho rotina.

Jamais recuso uma caminhada ou subir as escadas em vez de pegar o elevador. Preciso me movimentar. Dançar então, cura tudo e rejuvenesce muito. Também preciso agradecer minha genética baiana maravilhosa. Explosão das misturas raciais.

 

O conceito do que é belo mudou com o tempo para você? Por que?

 

Acho que continuo apreciando a beleza da natureza e das pessoas com atitude genuína, mas hoje eu sei porque sempre admirei mais o que está invisível. De alguma forma eu intuía que a energia alimenta tudo o que existe. Se alguém se aproxima com brilho nos olhos, não estou nem aí para a quantidade de músculos. Sempre gostei da espontaneidade das pessoas, pois isso reflete a essência, a verdade de cada um. Quer coisa mais sedutora e bela do que a ousadia em inovar, em quebrar padrões em nome do amor ou da liberdade? A mulher pode ter um nariz enorme, ou pode ser gordinha, pode estar fora de todos os padrões de beleza e ser modelo de atitude para multidões. Uma pessoa feia pode ser amada infinitamente por seu parceiro ou parceira. O que a pessoa faz com sua própria existência e nas pequenas coisas do dia a dia, é o que desperta admiração e paixão. A generosidade, a tranquilidade, a sabedoria, a alegria são características que deixam qualquer um bonito. Mas já percebi que a essência de cada um, acaba refletindo no exterior. Mesmo tendo forma considerada feia pelos padrões, será sempre harmônica e encantadora sem explicação lógica.

 

O que a Ingra de hoje poderia ter da Ingra de 20 anos atrás? E o que a Ingra de 20 anos atrás deveria ter da Ingra de hoje?

 

A Ingra de hoje poderia ter o tempo que a juventude tem pela frente, mas confesso que tenho a intensão de alongar minha vida. Bem, se a Ingra de 20 anos tivesse a consciência que eu tenho hoje sobre o significado da vida, eu teria me potencializado mais através do amor. Mas a consciência vem com o tempo e se eu me sabotei algumas vezes por causa do medo que eu criei, hoje posso dizer que experimentei quase tudo nessa vida. Já andei na lama e em caminhos de flores, já criei dor e felicidade para mim e para outros. Como eu teria consciência sem ter experimentado esses mundos internos? A vivência atenta é uma benção.

 

De todas as mentiras que você já contou para si mesma, qual foi a maior? E como resolveu isso?

 

Hahaha... Escrevi um livro para contar minhas mentiras e escancarar para todos saberem e eu não ter mais a possibilidade de sustenta-las. A escrita aconteceu em menos de quatro meses e eu não sentei muitas vezes para escrever. O livro estava pronto dentro de mim. Foi só eu ter coragem para me ver no espelho e arrancar a máscara. Resumindo, eu gastava muita energia carregando a máscara de perfeita, de bem sucedida, de irresistível, de esposa perfeita etc. Tudo mentira. Já falhei várias vezes na vida pessoal e profissional, já recebi "não" outras tantas, já me debati com ciúme e inveja, ja cometi erros que trabalho até hoje para reparar, fiz pessoas sofrerem e com isso, eu também sofri. Em alguns momentos tive dúvida se deveria me expor tanto, mas não faria sentido ter medo de falar do medo. O caminho é encarar sua face mais horrível; aquela que você não quer ver de jeito nenhum; aceitar e se amar assim mesmo. A partir desse movimento, a gente aprende a aceitar o outro com suas deficiências porque aceitamos a nossa. A cura é o amor, sempre.

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Quais seus próximos projetos?

 

Depois da novela estou iniciando as filmagens do documentário "A Vida é da Cor que pintamos" sobre vida e obra de meu pai, o artista plástico e cineasta Chico Liberato. No início do ano já vou retomar as filmagens da série "As Amazonas", onde viajo pela América Latina mostrando mulheres que vivem o universo dos cavalos. Estou finalizando meu segundo livro, agora uma ficção sobre o despertar da consciência. Também tenho alguns roteiros documentais em andamento, quero gravar um disco e estrear o monólogo baseado no livro O Medo do Sucesso. Isso é só o que já está mais ou menos agendado. Estou sentindo que o universo vai me trazer belas e novas oportunidades que eu jamais imaginaria.